Os defesa e acusação apresentaram nesta quarta-feira (21), seus discursos finais à juíza Siobhán Lankford e aos sete jurados mulheres e cinco homens no Tribunal Criminal Central, em sessão realizada em Cork. Miller Pacheco, de 32 anos, se declarou inocente da acusação de assassinar sua ex-namorada, Bruna Fonseca, de 28 anos, em seu apartamento na Liberty Street, em Cork, no dia 1º de janeiro de 2023.
Discurso final da acusação

O responsável pela acusação, Bernard Condon, afirmou que o réu teve a intenção de matá-la e que “essa intenção existia há algum tempo, certamente fazia parte de seus planos e estava em sua agenda”.
“A acusação sustenta que está comprovado, além de qualquer dúvida razoável, que o acusado colocou a mão em volta do pescoço dela e pressionou, que ele teve a intenção de matá-la e que isso constituiu estrangulamento manual com a mão direita”, disse Condon.
“Miller Pacheco era uma pessoa muito carente, extremamente autocentrada, que havia se tornado quase como uma criança dependente de Bruna, que era uma adulta funcional. Ele transformou seus problemas em problemas dela. Ele estava disposto a usar o papel de vítima como arma contra ela. Isso é chantagem emocional. Ele é um manipulador nato. Ele é um covarde”, afirmou.
Condon descreveu ainda que Miller teria gravado um vídeo de Bruna beijando outro homem na madrugada do Dia de Ano Novo, durante uma festa. Segundo ele, em vez de enfrentar o homem na boate, o acusado teria exercido controle sobre Bruna com uma postura covarde de “coitado de mim”.
“Aqui está o ponto central: o pensamento dele — sustentado pelas provas — era ‘se eu não posso tê-la, ninguém pode’”, declarou o promotor.
Discurso final da defesa
O advogado sênior da defesa, Ray Boland, afirmou que houve manipulação emocional do júri por parte da acusação, no que descreveu como um assassinato de caráter de Miller Pacheco.
“Ele conta aos amigos que a matou, mostra o corpo, confusamente leva um lençol para fora para se desfazer dele, mas nada além disso. A acusação diz que ele tinha uma mochila e o passaporte do lado de fora, na rua, mas isso seria para que ele estivesse com seus documentos quando a polícia chegasse. Não havia nada que o impedisse de ir embora, de fugir”, disse Boland.
“Ele parece ser uma pessoa extremamente tensa. Outros estudantes disseram que ele era quieto e sério. Certamente parece sentir as coisas de forma muito intensa. Não há absolutamente nenhum histórico de violência no relacionamento ao longo dos seis anos anteriores”, afirmou.
O advogado pediu ainda que o júri considerasse as palavras de Bruna a Miller quando, em tom de exasperação, ela teria perguntado se ele precisava vê-la tendo relações sexuais com outra pessoa para finalmente entender que o relacionamento entre eles havia acabado.
Boland disse que não fazia nenhuma crítica à falecida Bruna Fonseca ao afirmar que o fato de ela beijar alguém na festa, na frente de Miller, era algo novo. Segundo ele, o acusado estava em “genuína turbulência psíquica”.
Ele afirmou que Miller teria segurado Bruna pelo pescoço por trás, com o braço, para impedir que ela o atingisse. “Ele não podia ver o rosto dela e não poderia ter percebido a dificuldade que ela estava enfrentando… Quanto tempo leva — e esta é uma pergunta mórbida — para uma pessoa morrer? Será que ele calculou mal ao segurá-la até que ela ficasse quieta?”, sugeriu Boland.
O Sr. Boland repetiu a explicação que Miller deu à polícia: “Quando ela me bateu, eu me perdi em mim mesmo. Era como se eu não estivesse mais lá”. O Sr. Boland disse que essa descrição se referia a ter sido dominado pela situação de tal forma que não conseguiu se controlar.
“De repente, ela o atacou, e nunca havia ocorrido qualquer violência antes. Essa pessoa, tão tensa e emotiva, concordou que perdeu o controle.”
“Obviamente, este é um caso muito, muito trágico. Uma pessoa muito jovem, ambiciosa, bonita e gentil perdeu a vida nisso. Mas é preciso abordá-lo com imparcialidade. A questão não é quem é a melhor pessoa, mas sim o que se passava na mente de Miller Pacheco naquele momento. Havia a intenção de matar ou causar danos graves?”
O advogado de defesa lembrou ao júri as três opções: inocente, culpado de homicídio ou, em terceiro lugar, inocente de homicídio, mas culpado de homicídio culposo.
O julgamento continua.
O julgamento continua.
Fonte: Irish Examiner












































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