O julgamento de Miller Pacheco continuou na terça-feira (13) e nesta quarta-feira (14), no Tribunal Criminal Central, em Cork. Ele nega o assassinato de Bruna Fonseca, ocorrido em seu apartamento na Liberty Street, em Cork, no dia 1º de janeiro de 2023.
Ouvida, Maria Fonseca contou ao tribunal que ela e sua tia, Bruna Fonseca — ex-namorada de Miller Pacheco — foram a uma festa especial de Ano Novo para brasileiros no Oyster Tavern, em Cork, onde encontraram o acusado.

Questionada se “Bruna estava dançando com algum rapaz?”, Maria respondeu:“Sim, ele (o acusado) estava gravando vídeos de Bruna com um homem.”
Maria disse que sua tia chegou a Cork antes do acusado e que o relacionamento com Miller durou apenas três dias, ou talvez uma semana, depois que ele chegou à cidade em dezembro.
Ela afirmou que a tia tinha medo de que Miller se machucasse e que Bruna nunca teve medo de Miller.
A jovem testemunhou que o acusado estava seguindo Bruna durante a festa de Réveillon, apesar de ela estar tentando evitá-lo e não querer falar com ele.
“Nós chegamos lá por volta das 22h — vi Miller mais tarde, por volta das 23h, apenas disse ‘olá’ — ele estava tentando falar com Bruna — ele nos seguia o tempo todo — nós tentávamos nos afastar dele”, relatou Maria.
Maria também contou que, mais cedo naquela mesma noite, encontrou a tia após ela sair do trabalho, e que Bruna estava muito abalada e chorando, pois havia encontrado uma faca dentro de uma bolsa pertencente a Miller e temia que ele pudesse tentar se machucar.
A mãe de Maria, Izabel Fonseca, irmã mais velha da vítima, também prestou depoimento. Ela afirmou que Miller e Bruna terminaram o relacionamento algum tempo depois de janeiro de 2022, mas que reataram próximo ao período em que Bruna planejava viajar para a Irlanda, e que Miller acabou seguindo Bruna até o país.
Izabel recordou que Miller telefonava e entrava em contato com Bruna com frequência, e que eles reataram pouco antes da viagem. Bruna chegou primeiro à Irlanda, e Miller chegou pouco depois. Segundo ela, ele não ficou satisfeito pelo fato de Bruna ter viajado antes dele.
Questionada sobre o motivo da irmã ter ido para a Irlanda, Izabel respondeu:
“Sempre foi o sonho dela.”
Sobre Miller ter ido para a Irlanda, afirmou:
“Ele nunca teve vontade de ir.”
Depoimento do paramédico
O sargento Colin Dowling, que é treinado como paramédico, relatou que atendeu a uma ocorrência na Liberty Street às 6h30 da manhã do dia 1º de janeiro de 2023.
Inicialmente, ele foi informado de que havia uma denúncia envolvendo um homem com uma faca e que uma mulher possivelmente havia sido morta em um apartamento. O sargento Dowling encontrou dois policiais no local, que estavam com Miller Pacheco. O acusado entregou aos policiais a chave para que pudessem acessar o apartamento.
“Quando entramos no apartamento, estava tudo limpo, nada fora do lugar. Achei que não havia ninguém presente. A cama estava completamente arrumada. Não parecia haver ninguém na cama. A policial Aoife McCarthy achou que viu pés do lado da cabeceira”, disse Dowling.
“Puxei o edredom. Observei a senhora Fonseca na cama, deitada de costas. Ela não respondia.”
O sargento contou que a retirou da cama e a colocou no chão, iniciando os procedimentos de reanimação cardiopulmonar (RCP), que depois foram continuados por outros policiais e paramédicos.
Segundo Dowling, às 7h08 daquela manhã, os esforços de reanimação foram encerrados. O paramédico nacional Patrick McCarthy e o oficial do Corpo de Bombeiros Kevin McCann prestaram depoimentos semelhantes, confirmando que também estavam presentes no local naquela manhã.
O julgamento segue sob a condução da juíza Siobhán Lankford, com um júri composto por sete mulheres e cinco homens.
Fonte: Irish Examiner









































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