O carrapato-do-boi tem tirado o sono de produtores rurais em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas. Além de comprometer a saúde do rebanho, o parasita reduz a produção de leite e gera prejuízos milionários todos os anos.
Em um momento de queda no preço pago pelo litro, qualquer perda pesa no bolso de quem vive da atividade.
O principal responsável pelos impactos é o Rhipicephalus microplus, ectoparasita que se alimenta do sangue dos bovinos. É justamente na fase em que está sobre o animal que ocorrem as maiores perdas econômicas.
Na prática, o problema já afeta propriedades da região. O produtor rural Juarez Gomes Branquinho relata dificuldades para manter o gado saudável durante os períodos mais quentes e úmidos do ano, quando há maior proliferação do parasita.
Segundo ele, a infestação interfere no ganho de peso e na produção de leite, além de elevar os custos com medicamentos.
“Quando o preço do leite cai, qualquer prejuízo soma muito no bolso”, afirma o produtor, que também destaca que manter o rebanho livre de carrapatos é um desafio constante.
Impactos na saúde do animal
De acordo com o médico veterinário Brunno Henrique Araújo Silva, a infestação pode causar anemia severa, perda de peso, irritabilidade, lesões na pele e maior vulnerabilidade a doenças, como a tristeza parasitária bovina, que pode levar à morte.
“O animal parasitado precisa repor hemácias constantemente. Isso compromete o desempenho e a produção”, explica.
Um estudo publicado em janeiro de 2024 por pesquisadores da Embrapa Gado de Corte aponta que os prejuízos causados pelo carrapato-do-boi à economia brasileira chegam a cerca de US$ 3,2 bilhões por ano. Cada carrapato pode representar perda média de 0,22 quilo de peso vivo por animal ao ano.
Mesmo quando o produtor visualiza grande quantidade de carrapatos no boi, isso representa apenas cerca de 5% da infestação total. Aproximadamente 95% das larvas permanecem na pastagem, favorecendo a reinfestação. Cada fêmea é capaz de colocar, em média, 3 mil ovos, o que explica a rápida multiplicação.
Fonte: G1 CENTRO OESTE











































Discussão sobre isso post