Dono de uma mercearia em Serra da Saudade, cidade menos populosa do Brasil, no Centro-Oeste de Minas Gerais, Aloísio Aparecido Alves recebeu a notícia de que os prejuízos causados pela perda de mercadorias devido a falhas no fornecimento de energia podem estar chegando ao fim.
“Já perdi muito picolé, sorvete e muitos pães. E não foi uma vez, não. Foram muitas vezes. Teve um dia que ficou quase 24 horas sem energia aqui. Se a energia firmar, melhora né?!”
A esperança do comerciante é a instalação da microrrede da Cemig, em funcionamento no município desde quinta-feira (15). A cidade é a primeira do Brasil a receber o sistema antiapagão, que promete reduzir quase a zero as ocorrências de falta de energia para os 856 serrano-saudalenses, como são chamados os moradores da cidade.
À base de energia captada por placas solares e armazenada em baterias, a microrrede de Serra da Saudade será utilizada como alternativa quando a energia convencional apresentar algum problema na distribuição.
“A Cemig estudou esse projeto junto com a Universidade Federal de Minas Gerais. Não é um projeto-piloto, é um projeto definitivo que vai servir a população de Serra da Saudade com energia limpa e sustentável”, explicou o gerente de engenharia da companhia.
A experiência em Serra da Saudade operou por 15 dias de forma experimental e, a partir de agora, servirá de referência para a expansão da tecnologia em Minas Gerais.
A Cemig já mapeou pelo menos dez localidades que poderão receber sistemas capazes de operar de forma independente da rede principal. A prioridade são regiões que enfrentam maior vulnerabilidade no fornecimento e onde a construção de infraestrutura convencional se mostra inviável ou onerosa.
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Aloízio relata perdas de mercadoria devido a problemas no fornecimento de energias — Foto: TV Integração/reprodução
Como funciona a microrrede instalada em Serra da Saudade
De acordo com a Cemig, foram instaladas 800 placas fotovoltaicas que transformam a luz do sol em eletricidade. O diferencial do sistema é que essa energia alimenta um banco de baterias que, segundo Henrique Parreiras Couto, engenheiro de gestão de ativos da Cemig, são utilizadas quando há falhas no fornecimento convencional, podendo manter o abastecimento de energia da cidade por até 48 horas.
“No dia a dia, a rede que atende a Serra da Saudade continua sendo a rede convencional, com os cabos de distribuição, as redes e postes. Se houver qualquer problema na rede da Cemig, a gente consegue desconectar a Serra da Saudade da rede tradicional e utilizar as baterias para manter a cidade atendida enquanto a gente faz os reparos ou a manutenção necessária”, detalhou.
As baterias são recarregadas pelas placas solares em cerca de 24 horas. O uso desse sistema é fundamental também para garantir um fornecimento mais consistente à população. “Apenas a usina solar não seria capaz de atender a cidade porque a geração solar é muito intermitente. A gente precisa das baterias para firmar essa rede e mantê-la estável”, completou Henrique.
De acordo com a Cemig, o investimento para a instalação do sistema foi de R$ 7 milhões. Países como Estados Unidos e China já utilizam tecnologias semelhantes. No Brasil, existem outras soluções que usam baterias, mas que ainda operam integradas à rede convencional.
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Fonte: G1












































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