O sargento Brian Barron foi uma das testemunhas ouvidas nesta sexta-feira (16), durante o julgamento no Tribunal Criminal Central, em Cork. Coube a ele apresentar informações a partir dos registros telefônicos de Miller Pacheco que nega o assassinato de Bruna Fonseca em seu apartamento na Liberty Street, em Cork, no dia 1º de janeiro de 2023.
O sargento Barron informou ao júri, composto por cinco homens e sete mulheres, que a análise do telefone Samsung de Pacheco encontrou mensagens de texto enviadas a familiares e amigos, bem como a Bruna Fonseca, com quem ele havia mantido um relacionamento que terminou poucos dias após sua chegada a Cork, em dezembro de 2022.

Entre as mensagens localizadas, estava uma enviada por Miller à irmã, Millena, no Brasil, pouco antes da meia-noite de 19 de dezembro de 2022, na qual ele pediu que ela cuidasse de seu cachorro da raça Shih Tzu, antes de escrever: “Eu meio que já decidi o que vou fazer e não vou contar a ninguém.”
Segundo o sargento Barron, ele não explicou o que queria dizer com esse comentário. No entanto, a análise do telefone mostrou que, cinco minutos depois, ele acessou um site intitulado “Como matar em três segundos”, que trazia detalhes sobre o massacre de uma família brasileira na Espanha.
A análise também revelou que, apenas três minutos depois, houve acesso a outro site intitulado “Quais são as condições necessárias para matar alguém” e, um minuto depois, a um terceiro site chamado “Três formas de lutar bem com facas”.
Comunicação com Bruna Fonseca
Em 16 de dezembro de 2022, Miller enviou mensagens a Bruna reclamando que ela o estava fazendo passar por um inferno. Ela respondeu: “Você não entendeu que não existe mais amor, não existe mais admiração no relacionamento e, mesmo assim, você escolheu ficar.”
Ela disse a ele para seguir em frente, repetindo que o relacionamento havia terminado.
Miller respondeu: “Eu devo merecer o inferno, porque foi para lá que você me levou e escolheu que eu estivesse e que eu vivesse, e agora você machucou a mim e a outras pessoas que são boas, e eu sou um lixo.”
Em outra mensagem, escreveu: “Desejo muito prazer e felicidade para você com o desgraçado que você escolheu e conheceu em três semanas e me fez parecer lixo, sendo que você me amava e que nós tínhamos um plano e que você me levou a acreditar que aqui todos os nossos sonhos seriam maravilhosos, todos os nossos sonhos com o D’eagle.”
Em algumas mensagens enviadas a Bruna, Miller se refere ao cachorro de estimação como o “filho” deles.
Miller também enviou uma mensagem de áudio:
“Você não sente nada, não sente nada por mim de verdade, só quer me machucar, machucar, machucar, machucar, machucar ainda mais e mais e mais, e depois ir ficar com outra pessoa em vez de mim, é isso que você sente — só pode ser isso… Vá se f*. Você realmente quer ir embora, desaparecer e me deixar sozinho, sem nada — eu fiquei sem nada, vendi tudo e agora não tenho nada, absolutamente nada — é isso que você quer para mim, é isso que você quer para mim, o pai do seu filho” (em referência ao cachorro).
Dois dias depois, ele disse que Bruna havia deixado de segui-lo no Instagram e afirmou que ela estava “seguindo com a sua vida de forma fria.”
Bruna respondeu por mensagem:
“Miller, sinto muito por tudo o que aconteceu. Cometi muitos erros e não há palavras para descrever o quanto isso me machuca e o quanto me arrependo. Mas, infelizmente ou felizmente — não sei — isso me ajudou a perceber que não somos bons um para o outro. Eu não menti quando disse que estava feliz com a sua vinda (para Cork), e tudo aconteceu muito rápido aqui; você está vivendo essa experiência, as coisas acontecem em velocidade e intensidade máximas. Mas eu não te amo e não posso ficar com alguém por pena. Por isso, preciso me afastar, porque para você qualquer sinal de ajuda é uma luz no fim do túnel, e eu não posso te dar esperança, porque não quero que a gente volte.”
Ela acrescentou:
“Não havia outra pessoa — ele não foi o motivo do término — fui eu. Eu e somente eu. Espero que você fique bem e, se decidir voltar (para o Brasil), saiba que sua família vai te apoiar.”
Fonte: Irish Examiner






































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