Testemunha afirmou que Miller Pacheco sorriu ao dizer que havia “estrangulado” Bruna Fonseca.
O homem que nega ter assassinado a brasileira Bruna Fonseca, de 28 anos, no Dia de Ano-Novo de 2023, em Cork, telefonou para um amigo no Brasil nas primeiras horas da manhã para dizer: “Eu matei Bruna”, e enviou um vídeo mostrando o corpo dela. A informação foi apresentada nesta terça-feira (13) ao juiz e ao júri durante o julgamento por homicídio.

Uma testemunha que chegou ao local após as 6h do dia 1º de janeiro de 2023 relatou que o acusado, Miller Pacheco, inicialmente disse: “Não fui eu”, e em seguida afirmou: “Eu a estrangulei”. Segundo a testemunha, ele sorriu ao dizer isso.
Marcella Fonseca, prima e melhor amiga da vítima, prestou depoimento no julgamento de Miller Pacheco, de 32 anos, que se declarou inocente da única acusação de ter assassinado Bruna Fonseca no quarto 3, nº 5 da Liberty Street, em Cork, no dia 1º de janeiro de 2023, em violação ao Direito Consuetudinário.
Depoimento e questionamentos da defesa
Marcella Fonseca foi interrogada pelo advogado de defesa Ray Boland sobre seu depoimento de que o acusado teria dito: “Eu a estrangulei”.
Boland afirmou que o acusado falou em português e que a palavra usada teria sido “sufocada”, e não “estrangulada”, sendo que a frase correta seria: “Eu acho que sufoquei a Bruna”.
A testemunha respondeu: “É uma palavra semelhante”. Boland disse que, conforme suas instruções, o acusado não estava sorrindo e encontrava-se em estado de choque.
Relacionamento
Marcella contou que mudou-se para a Irlanda em 2018, voltou ao Brasil durante a pandemia de covid-19 e retornou depois. Disse que conhecia Miller do Brasil e que Bruna era sua melhor amiga e prima de primeiro grau.
Ela relatou que Miller chegou a Cork e foi morar com Bruna, após terem tido um relacionamento no Brasil, mas que a relação terminou após uma semana — depois concordou que o término ocorreu após três dias. Marcella lembrou que foi à residência de Miller, na Liberty Street, durante o dia da véspera de Ano-Novo e que Bruna estava lá. Disse que tanto o réu quanto a vítima estavam com os olhos vermelhos e haviam chorado.
Segundo Marcella, Bruna lhe entregou uma faca e ela percebeu que o dedo de Bruna estava sangrando devido a um pequeno corte.
A testemunha concordou com o advogado de defesa que Bruna terminou o relacionamento com Miller, mas que ele não queria aceitar o término, e que Bruna estava preocupada com a possibilidade de Miller se matar. Nesse contexto, Bruna teria tentado tirar a faca dele. Bruna disse a Marcella que o corte no dedo ocorreu quando Miller tentou pegar a faca de volta, mas que ele não teve a intenção de machucá-la.
Dia de Ano-Novo
Marcella recebeu uma ligação de um amigo de Miller no Brasil por volta das 6h da manhã do Dia de Ano-Novo, depois que esse amigo foi contatado por Miller. Ela disse que ficou com medo quando o amigo contou que Bruna poderia ter sido morta.
Ela foi com a amiga Juliana Souza até a casa na Liberty Street, onde Miller tinha um quarto. Disse que viu Miller segurando um tecido branco na mão.
“Perguntei se ele matou minha prima, ele disse que não. Perguntei de novo: você matou minha prima? Como você matou minha prima? Ele respondeu: eu a estrangulei”, testemunhou Marcella Fonseca. Segundo ela, ele sorriu ao dizer isso.
Ela contou que Miller trocou de blusa e que ela disse para ele permanecer na Irlanda. “Ele disse que gostaria de ir para o Brasil. Eu disse que ele deveria ficar na Irlanda para ir para a prisão aqui.”
Marcella afirmou ainda que Pedro, amigo de Miller no Brasil, lhe enviou o vídeo que Miller havia mandado a ele.
O julgamento continua perante a juíza Siobhán Lankford e um júri composto por sete mulheres e cinco homens, no Tribunal Criminal Central, em sessão realizada em Cork.
Fonte: Irish Examiner






































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