As autoridades sanitárias de Minas Gerais investigam as causas da morte de uma criança de 2 anos, que faleceu na última terça-feira (1º de abril) sob suspeita de meningite, em Coronel Fabriciano, no Vale do Aço. A doença é fruto da inflamação das chamadas meninges — membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal — e podem ser causadas por vírus, bactérias e, até mesmo, fungos.
Conforme a Prefeitura do município de mais de 130 mil habitantes, exames preliminares descartaram a meningite como causa do óbito, que não esteve internada nos hospitais públicos antes da morte. “O Departamento de Vigilância em Saúde já enviou amostras sorológicas para a Fundação Ezequiel Dias (FUNED), em Belo Horizonte, e aguarda os resultados”, complementou.

Além disso, a gestão municipal também informou que, ao ser comunicada da morte, notificou a Secretaria de Estado de Saúde (SES). Procurada, a pasta estadual informou que o caso está em investigação pelas equipes técnicas. “Até o momento, não há confirmação de diagnóstico ou vínculo com um possível aumento de meningite na região do Vale do Aço”, complementou a secretaria.
Vacinação “satisfatória”
Ainda de acordo com a Prefeitura de Conselheiro Lafaiete, a cobertura vacinal contra a meningite está “satisfatória”, com 97% do público alvo já imunizado.
“Isso inclui a vacina Meningo C para crianças de 3 e 5 meses, além do reforço aos 12 meses, e a vacina ACWY para adolescentes de 11 a 14 anos, em dose única. As doses do imunizante estão disponíveis nas salas de vacinação de todas as Unidades de Saúde da cidade”, finalizou.
O que é a meningite?
A meningite é uma inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. No Brasil, a meningite é considerada uma doença endêmica. A ocorrência das meningites bacterianas é mais comum no outono-inverno e das virais na primavera-verão.
Quais são os tipos de meningite?
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), atualmente, existem 12 sorogrupos de meningite identificados, entre eles os tipos A, B, C, W, X e Y. No Brasil, o tipo mais frequente é o meningococo C.
O que causa a meningite?
Pode ser causada por bactérias, vírus, fungos e parasitas. As meningites virais e bacterianas são as de maior importância para a saúde pública, considerando a magnitude de sua ocorrência e o potencial de produzir surtos.
Apesar de ser habitualmente causada por microrganismos, a meningite também pode ter origem em processos inflamatórios, como câncer (metástases para meninges), lúpus, reação a algumas drogas, traumatismo craniano e cirurgias cerebrais.
Como a meningite é transmitida?
Em geral, a transmissão é de pessoa para pessoa, através das vias respiratórias, por gotículas e secreções do nariz e da garganta. Também ocorre a transmissão fecal-oral, através da ingestão de água e alimentos contaminados e contato com fezes.
Quais são os sintomas da meningite bacteriana?
A meningite bacteriana é geralmente mais grave e os sintomas incluem febre, dor de cabeça e rigidez de nuca. Muitas vezes há outros sintomas, como mal-estar, náusea, vômito, fotofobia (aumento da sensibilidade à luz), status mental alterado (confusão). Com o passar do tempo, alguns sintomas mais graves de meningite bacteriana podem aparecer, como convulsões, delírio, tremores e coma.
Quais são os sintomas da meningite viral?
Os sintomas iniciais são semelhantes aos da meningite bacteriana: febre, dor de cabeça, rigidez de nuca, náusea, vomito, falta de apetite, irritabilidade, sonolência ou dificuldade para acordar do sono, letargia, fotofobia (aumento da sensibilidade à luz).
Em recém-nascidos e bebês, alguns dos sintomas descritos acima podem estar ausentes ou difíceis de serem percebidos. O bebê pode ficar irritado, vomitar, alimentar-se mal ou parecer letárgico ou irresponsivo a estímulos. Também podem apresentar a fontanela (moleira) protuberante ou reflexos anormais.
Como é feito o tratamento da meningite?
Devido à gravidade do quadro clínico, os casos suspeitos de meningite sempre são internados nos hospitais, por isso, ao se suspeitar de um caso, é urgente a procura por um pronto-socorro hospitalar para avaliação médica.
Para tratamento das meningites bacterianas, faz-se uso de antibioticoterapia em ambiente hospitalar, com drogas de escolha e dosagens terapêuticas prescritas pelos médicos assistentes do caso. Recomenda-se ainda o tratamento de suporte, como reposição de líquidos e cuidadosa assistência.
Como prevenir a meningite?
A meningite é uma síndrome que pode ser causada por diferentes agentes infecciosos. Para alguns destes, existem medidas de prevenção primária, tais como vacinas e quimioprofilaxia. As vacinas estão disponíveis para prevenção das principais causas de meningite bacteriana.
O Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza as seguintes vacinas contra meningites:
Vacina meningocócica C
São indicadas duas doses, aos 3 e aos 5 meses e um reforço preferencialmente aos 12 meses.
Segundo a nova orientação do Ministério da Saúde, se a criança de até 10 anos não tiver se vacinado, deve tomar uma dose da meningocócica C.
Já os trabalhadores de saúde, mesmo com o esquema vacinal completo, podem se vacinar com mais uma dose.
Vacina ACWY (quadrivalente)
Indicadas para adolescentes de 11 e 12 anos.
Vacina pneumocócica 10-Valente (conjugada)
São indicadas duas doses e um reforço: aos 2 e 4 meses, com reforço aos 12 meses.
Vacina Haemophilus influenzae tipo b – Hib
São três doses: aos 2, 4 e 6 meses.Para crianças com mais de 5 anos, adolescentes e adultos não vacinados e com doenças que aumentem o risco da doença, são indicadas duas doses com intervalo de dois meses.
Administrada em dose única ainda na maternidade ou no posto de saúde até um mês após o nascimento.
Fonte: O Tempo
Pentavalente
Protege contra as doenças invasivas causadas pelo Haemophilus influenzae sorotipo B, como meningite, e também contra a difteria, tétano, coqueluche e hepatite B. Indicada aos 2 meses, aos 4 meses e aos 6 meses.
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