A Família Formiga Azul, associação que apoia pessoas com autismo e deficiência intelectual; composta por pais, familiares e profissionais que trabalham com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) emitiu, nesta terça-feira (1º), uma nota de repúdio contra uma possível agressão sofrida por uma adolescente, de 15 anos, com deficiência. Na nota, divulgada por meio das redes sociais da associação, a entidade expressa sua grande indignação e reforça a necessidade de respeito e proteção às pessoas com deficiência.
“A violência, em qualquer forma, é inaceitável e, quando direcionada a indivíduos que já enfrentam desafios adicionais, torna-se ainda mais alarmante”, destaca a nota.

A organização também faz um apelo às autoridades para que os responsáveis pelo ato sejam identificados e punidos. Além disso, reforça a importância da união da sociedade no combate à intolerância e na promoção do respeito à diversidade.
“Todos têm o direito de viver com dignidade e segurança, independentemente de suas condições físicas ou mentais. Juntos, podemos construir um ambiente mais inclusivo e respeitoso para todos”, finaliza o comunicado.
Entenda o caso
O Portal Informe Centro-Oeste teve acesso ao documento lavrado após reunião realizada na Secretaria Municipal de Educação e Esportes de Formiga, no dia 27 de março de 2025, que trata de uma possível agressão contra uma aluna de 15 anos da Educação Especial. Estiveram presentes a secretária da pasta, a secretária adjunta, além de familiares da estudante, que relataram os fatos e solicitaram providências.
A adolescente, que não fala, é atendida na Escola Municipal Caic e no Cemap (Centro Municipal de Apoio Pedagógico).
O caso teria ocorrido no dia 14 de março, quando a estudante estava sob os cuidados de uma professora de apoio no período vespertino.
No mesmo dia, ao buscar a filha, a mãe foi informada por uma funcionária de que a estudante havia se ferido sozinha durante o atendimento. No entanto, ao chegar em casa, os familiares notaram ferimentos na parte de trás do braço, no braço esquerdo e na mão esquerda da adolescente. Questionada, a jovem teria dado sinais de que os machucados foram causados pela professora.
A mãe relatou ainda que, foi até o Cempa em busca de resposta e que ao assistir ao vídeo, relatou ter percebido sinais de angústia na filha, especialmente nos momentos em que ela e a professora ficavam fora do alcance da câmera. A mãe diz ainda que viu nas imagens a professora borrifar um líquido — possivelmente álcool — no ferimento da estudante, que demonstrou sentir dor. Porém, a professora teria negado ter ciência do ferimento na parte de trás do braço da adolescente. Além disso, as imagens mostrariam a profissional virando um copo de água na boca da adolescente, forçando-a a beber.
“Quando vi aquelas imagens entrei em desespero. Aquilo foi uma tortura”, disse a mãe que preferiu na se identificar.
Diante das suspeitas, a família registrou um boletim de ocorrência e pediu providências para que outras crianças não passem por situações semelhantes.
A Secretaria de Educação informou para a mãe, que a professora foi afastada do atendimento à estudante, a família entende que o ideal é que a professora seja afastada do cargo diante da gravidade do caso. O caso será analisado pela Corregedoria da Prefeitura, que determinará as medidas cabíveis.
O que diz a Secretaria de Educação
“A Secretaria Municipal de Educação e Esportes foi acionada pela Diretora do Cemap, Débora Bessas, que relatou situação de suspeita de agressão a uma aluna. Tão logo foi procurada pela mãe da aluna, que disse ter a criança chegado em casa, com marcas de ferimento na mão e no braço, reuniu-se com a professora, que negou ter cometido qualquer agressão contra a menina. Imediatamente, até que se averiguasse a questão, a Diretora afastou a professora do atendimento a essa aluna. Chamou a mãe da criança para que ela assistisse ao vídeo da câmera de monitoramento que fica na sala de atendimento, e enviou-o à Secretaria de Educação.
A Secretaria de Educação já protocolou na Corregedoria da Prefeitura Municipal pedido de sindicância em face da professora e está afastando-a do Cemap. É preciso estar ciente de que se deve assegurar o direito de defesa à professora, garantido na Constituição Federal, até que a sindicância e eventual processo administrativo sejam finalizados.
A Prefeitura Municipal de Formiga, por meio da Secretaria Municipal de Educação e Esportes, enfatiza seu empenho com a celeridade na apuração dos fatos e reafirma seu compromisso de prestar uma Educação de qualidade, e esta, sem dúvida, passa pela observância de um tratamento digno e respeitoso a todos os seus alunos e profissionais. Lamenta profundamente o ocorrido, porque isso pode macular o trabalho sério, sensível e competente realizado pelo Cemap, que é referência regional no atendimento aos alunos da Educação Especial.”
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